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16 de Agosto de 2022

Afinal de contas, porte de arma branca é crime?

Direito Diário, Estudante de Direito
Publicado por Direito Diário
há 5 anos

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No final do mês de maio deste ano (2015), ondas de crimes com facas assolaram a cidade do Rio de Janeiro. A repercussão dos delitos dessa natureza fortaleceu os projetos de lei que objetivam criminalizar o porte de armas brancas. Assim, vamos mergulhar nesta discussão.

Inicialmente, como podemos ver, o conceito jurídico de arma branca está no artigo acima. Tal dispositivo nos remete, equivocadamente, à ideia que somente facas, canivetes, punhais, foices, machados, dentre outros, encaixam-se nessa classificação. Contudo, podemos afirmar, sem dúvidas, que seu conceito abrange qualquer tipo de arma que não seja de fogo.

Afinal, o que o legislador quis dizer com “artefato cortante”? Qualquer objeto que seja usado para ferir alguém tem o poder de corte, seja com ou sem gume. Assim, cassetetes, porretes, soco ingleses, e vários outros objetos podem perfeitamente ser considerados.

Vamos analisar o Artigo 19 da Lei de Contravencoes Penais:

Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade:

Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou ambas cumulativamente (BRASIL, 1941, online)

O que é arma? Que tipo de arma está se referindo? A questão vai mais além. Se qualquer arma, que não seja de fogo, é branca, então é permitido considerar até mesmo uma simples caneta como tal. Se assim for, esbarramos na insegurança jurídica, que não pode prevalecer em nosso ordenamento jurídico.

Instintivamente pensamos na solução para sanar o problema: identificar as armas produzidas para o ataque e/ou defesa, e as armas que não são produzidas com essa finalidade, mas, que podem ser usadas eventualmente como tal. Arma própria e arma imprópria, respectivamente.

É de suma importância entender o sentido teleológico do Artigo 19 da Lei de Contravencoes Penais. O legislador deixou em aberto sobre qual arma se referiu, mas, por outro lado, deixou um rastro: a tal da “licença da autoridade”.

Antes do advento da Lei 9.437/97 e da Lei 10.826/03, o porte de arma de fogo, juntamente com o porte de arma branca, era contravenção penal. Com o aumento da criminalidade, as leis acima vieram para criminalizar a conduta, restando vigente apenas a Lei 10.826/03.

E as armas brancas? Para a corrente que as defende, o seu porte não é crime pela razão de não existir tipificação no CP, e nem é contravenção, por conta do Artigo 19 da LCP ser uma norma penal em branco. Essa parte da doutrina sustenta que falta a regulamentação, uma vez que não existe nenhum ato administrativo que obrigue o particular a retirar licença para portar arma branca.

A fundamentação está consagrada no seguinte artigo da Constituição Federal (1988): “Art. 5º. II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”

Nucci, citado por Galvão (2012, online), reforça o raciocínio, acrescentando argumentações sobre o Decreto 6.911/35 (grifo nosso):

Não há lei regulamentando o porte de arma branca de que tipo for. Logo, é impossível conseguir licença da autoridade para carregar consigo uma espada. Segundo o disposto no art. , II, da Constituição Federal, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Há outro ponto importante. Cuida-se de tipo penal incriminador, razão pela qual não pode ficar ao critério do operador do direito aplicá-lo ou não, a seu talante.(…) Não desconhecemos que há argumentos sustentando a vigência do Decreto 6.911/35, que proíbe o porte de armas brancas destinadas usualmente à ação ofensiva, como punhais ou canivetes-punhais, ou facões em forma de punhal; e também as bengalas e guarda-chuvas ou quaisquer outros objetos contendo punhal, espada, estilete ou espingarda‟, além de facas cuja lamina tenha mais de 10 centímetros de comprimento e navalhas de qualquer dimensão…‟ (art. 5º) (…) Não pode um decreto disciplinar matéria penal, que é, nos termos do atual texto constitucional, assunto privativo da União (art. 22, I, CF)”. (Leis Penais e Processuais Penais Comentadas, 2ª edição, 2007, Ed. RT, p. 152)

Em mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de Pernambuco (BRASIL, TJPE, 2015, online, grifo nosso):

DIREITO PENAL. APELAÇÃO. CRIME DE AMEAÇA. NÃO CONFIGURAÇÃO. PORTE DE ARMA BRANCA. ART. 19, DA LCP. REGULAMENTAÇÃO INEXISTENTE. ATIPICIDADE DA CONDUTA. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. – […] – Na contravenção penal prevista no artigo 19 do Decreto-lei 3.688/41, é pacífico o entendimento jurisprudencial e doutrinário de que o referido dispositivo legal não foi revogado pela Lei 9.437/97, que disciplinou o uso de armas de fogo, mas apenas derrogado, persistindo a contravenção quanto ao porte de arma branca. – Contudo, nenhuma norma disciplinadora de licença para o porte foi editada, sendo, portando, atípica a conduta do réu, não pela revogação do mencionado dispositivo legal, mas pela falta de norma regulamentadora. – Tendo em vista que restou provada a inexistência do fato caracterizador do crime de ameaça e que a conduta do porte de arma branca não está abrangida pela contravenção de que fala o art. 19, do Decreto-Lei nº 3.688/41, mantenho a absolvição declarada na sentença. – Recurso conhecido e desprovido. (TJ-PE – APL: 2567546 PE , Relator: Fausto de Castro Campos, Data de Julgamento: 17/03/2015, 1ª Câmara Criminal, Data de Publicação: 26/03/2015)

O argumento é bem aplicado e em consonância com o instituto da norma penal em branco. No entanto, é necessário cautela em não ignorar a finalidade do conceito de arma própria, e nem ignorar o princípio da razoabilidade. Se a arma branca foi produzida com a finalidade de ataque e/ou defesa, além de ter potencial lesivo, não é razoável seu porte em vias públicas. Portanto, o Artigo 19 da LCP deve ser aplicado.

Vejamos o que sustenta Gonçalves, citado por Rufato (2015, online):

O art. 19 da Lei das Contravencoes Penais deixou de ter aplicação em relação às armas de fogo, desde o advento da Lei n. 9.437/97, que transformou tal conduta em crime. Atualmente, os crimes envolvendo a posse e o porte de arma de fogo estão previstos na Lei n. 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento). O dispositivo, portanto, continua tendo incidência apenas para as armas brancas, como facas, facões, canivetes, punhais, sabres, espadas, etc. (grifo nosso)

O Superior Tribunal de Justiça (BRASIL. STJ, 2015, online, grifo nosso), já decidiu neste sentido:

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PORTE DE ARMA BRANCA. ALEGADA ATIPICIDADE. ART. 19 DA LEI DAS CONTRAVENCOES PENAIS. LEI 9.437/1997. REVOGAÇÃO APENAS NO QUE SE REFERE AO PORTE DE ARMA DE FOGO. SUBSISTÊNCIA DA CONTRAVENÇÃO QUANTO AO PORTE DE ARMA BRANCA. RECURSO DESPROVIDO. A Lei 9.437/1997, ao instituir o Sistema Nacional de Armas e tipificar o crime de porte não autorizado de armas de fogo, não revogou o art. 19 da Lei das Contravencoes Penais, de forma que subsiste a contravenção penal em relação ao porte de arma branca. Precedentes. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no RHC 26.829/MG, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE), SEXTA TURMA, julgado em 08/05/2014)

Apesar das duas correntes sustentarem argumentos plausíveis, um princípio do Direito Penal foi ignorado pela última corrente adotada pelo STJ, reservados os devidos respeitos à decisão da corte. O princípio in dubio pro reo(na dúvida, em favor do réu).

Não cabe ao magistrado interpretar de forma que prejudique o réu em matéria penal. É honesto e correto que, dependendo da arma branca, ela cause ameaça real à incolumidade pública. Não há dúvidas sobre isso. Porém não justifica que o Artigo 19 da LCP puna cidadãos que pratiquem um ato não regulado. Que seja regulado!

Tal corrente adotada pelo STJ soa mais como um ato emulativo, isto é, um abuso de direito que busca apenas prejudicar o réu, totalmente contra o que o Código Penal pátrio propõe.

Nesse contexto, há dois projetos de lei tramitando que visam criminalizar o porte de arma branca: a PL 2967/04 objetiva regulamentar tanto a posse quanto o porte da arma branca, proibindo-a tanto quanto a arma de fogo (BRASIL, 2004), e a PL 1873/15, que soa mais diplomática:

Ementa

Torna crime portar armas brancas destinadas usualmente à ação ofensiva, como faca, punhal, ou similares, cuja lâmina tenha mais de 10 (dez) centímetros de comprimento, em locais públicos, veículos de transportes públicos e em locais privados onde haja movimento ou concentração de pessoas. (BRASIL, 2015, online)

Por tratarem do mesmo objeto, os dois projetos de lei foram apensados recentemente. Inclusive, a PL 2967/04 houve parecer favorável do Deputado João Campos (PSDB-GO). Segue a redação da lei:

Art. 16-A. Portar arma branca em via pública, locais de espetáculos ou diversões e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

Pena – detenção de 1 (um) mês a 1 (um) ano e multa.

1º Entende-se como arma branca, todo instrumento constituído de lâmina de qualquer material cortante ou pérfuro-cortante, tais como espadas, adagas, fundas e punhais, e instrumentos que podem ser usados eventualmente como armas, tais como navalhas, arpões, flechas, soco-inglês, seringas com agulhas hipodérmicas, instrumentos de lutas marciais ou outros instrumentos similares capazes de causar ofensa a saúde ou a integridade física de outrem.

2º Excluem-se da vedação do caput as armas brancas utilizadas por profissionais, esportistas, caçadores, pescadores e outras atividades e situações que justifiquem o seu uso.

3º Para a caracterização do crime e consequente autuação o Delegado de Polícia terá que fundamentar analisando o tipo de arma, local da prisão, conduta e antecedentes do preso. (BRASIL, 2015, online)

Já podemos vislumbrar questionamentos. O parágrafo segundo, por exemplo, deixa em aberto quando ocorrerá a exclusão ao dizer “[…] e outras atividades e situações que justifiquem seu uso” (grifo nosso). Quais situações?

Seria admitida a situação do cidadão que portaria uma pequena lâmina em via pública unicamente para sua defesa? E se comprovado que não há animus dolendi em cometer delitos?

Além disso, percebemos o quão volátil é o assunto. Praticamente qualquer artefato é capaz de se tornar arma. Mesmo que seja criminalizada a arma branca, nada impede que outros objetos escapem da filtragem e revelem sua periculosidade antes ou no momento da prática criminosa, prejudicando o objetivo da lei, que é desarmar o cidadão em prol da segurança.

Cintos com fivela de metal podem a qualquer momento se tornar arma branca. Se começarem a usar o acessório para praticar lesões corporais, será proibido usá-lo em locais públicos, espetáculos e outros lugares, conforme a redação do artigo prevê? Vamos com calma.

Por ser um perigo real, a arma de fogo tem um conceito restrito, claro e objetivo, justificando a regulamentação e criminalização do porte ilegal. Por outro lado, a arma branca nem sempre apresenta um perigo real, pois depende da natureza e da forma do artefato, além, claro, do contexto que está inserida. Isso justifica porque não foi regulada.

Com efeito, conclui-se desnecessário criminalizar o porte de arma branca. É suficiente punir o indivíduo que a usou como meio para praticar crimes, a título de qualificadora. Ressalto que também é interessante observar a antecedência criminal do sujeito, além de verificar a natureza e a forma do artefato à luz do princípio da razoabilidade. Juridicamente, não existe diferença entre bombas e pistolas, mas há grande diferença entre katanas e canivetes.


REFERÊNCIAS BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei 1873/2015: Torna crime portar armas brancas destinadas usualmente à ação ofensiva, como faca, punhal, ou similares, cuja lâmina tenha mais de 10 (dez) centímetros de comprimento, em locais públicos, veículos de transportes públicos e em locais privados onde haja movimento ou concentração de pessoas. Brasilia-DF: 11 jun. 2015. Disponivel em: <http://www.câmara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=1306662>. Acesso em: 24 ago. 2015. ______. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei 2967/2004: Dispõe sobre a proibição do porte de armas brancas e dá outras providências. Brasilia-DF: 11 fev. 2004. Disponivel em: <http://www.câmara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=153583>. Acesso em: 24 ago. 2015. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF: Palácio do Planalto Presidência da República, 1988. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constituição.htm>. Acesso em: 24 ago. 2015. BRASIL. Lei nº 3.665, de 20 de novembro de 2000. Dá nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados (R-105), DF: Palácio do Planalto Presidência da República, 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3665.htm>. Acesso em: 24 ago. 2015. ______. Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941. Lei das Contravencoes Penais. Brasília, DF: Palácio do Planalto Presidência da República, 1941. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3688.htm>. Acesso em: 24 ago. 2015. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 26829 - MG (2009/0184116-0). Agravante: Cristiano Araújo Silva. Agravado: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Relator: Ministra Marilza Maynard. Distrito Federal, 8 de maio de 2014. BRASIL. Tribunal de Justiça de Pernambuco. Apelação nº 2567546 - PE. Apelante: Não informado. Apelada: Não informado. Relator: Fausto de Castro Campos. Pernambuco, 17 de março de 2015. GALVÃO, Bruno Haddad. É atípico o porte de arma branca. V Encontro Estadual dos Defensores Públicos de São Paulo. São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/Repositorio/20/Documentos/TODAS%20AS%20TESES/TESE.07.12.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2015. GLOBO. G1: Cunha diz que levará ao plenário texto que criminaliza porte de arma branca, 2015. Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/05/cunha-diz-que-apoia-criminalizacao-de-uso-de-arma-branca.html. Acesso em: 24 ago. 2015 RUFATO, Pedro Evandro de Vicente. A contravenção de porte de arma branca está em vigor e não depende de regulamentação. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, v. 5, n. 1240. Disponível em: <http://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/texto.asp?id=4080> Acesso em: 27 ago. 2015.

Por: Mário César

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Tudo quase que o cidadão de bem pode utilizar para se defender no Brasil é crime, agora bandido usa até fuzil para estuprar e matar uma família inteira e ai pergunto: Cade a efetividade do estatuto do desarmamento para o bandido? Não tem assim como eles fazem as leis do Brasil, os bandidos... continuar lendo

Pergunta quantas armas o bandido entregou na campanha do desarmamento

😂 continuar lendo

Acho que justamente o fato de não seguir a lei torna um bandido o que ele é, não é mesmo? continuar lendo

Concordo que o fato de não seguir a lei torna um bandido o que ele é porém temos que concordar também que a constituição tendo leis como está não consegue proteger a minoria de bem. continuar lendo

Interessante saber que a obrigação de proteger o cidadão é do Estado e não do 'cidadão de bem'.

Logo, você deve cobrar do Estado o cumprimento de seu dever e não se oferecer para fazê-lo! continuar lendo

Cabe ressaltar que, a arma branca não devem, em hipótese alguma ser proibida o seu uso. Nesse rumo, Leis que foram aprovadas em anos anteriores, proibindo o uso de arma de fogo, sinceramente, um absurdo. Um exemplo positivo: quando toda população, está armada com arma de fogo, é explícito que o crime tem sua diminuição significativa, e, percebe-se que, um marginal armado, não vai adentrar em uma residência, sabendo que o morador também está armado. Voltamos 30, 40 anos atrás, quando boa parte do povo brasileiro possuía arma de fogo, vejamos que, a criminalidade era baixíssimo. Com o passar dos anos, o Congresso Nacional aprovou e o presidente sancionou a proibição de arma de fogo. É fato, onde a população brasileira desarmada, os bandidos armados, vejamos a quantidade diária de crimes e mais crimes, e percebe-se que o estado está enfraquecido à frente da criminalização, não conseguindo atingir o cimo para controlar e combater com eficácia o crime organizado. Sabe-se que o cidadão do bem está desprotegido, sem arma, sem condições de encarar os marginais. Definitivamente, a arma de fogo devem ser liberadas para todo cidadão do bem. Vejamos, a solução de qualquer país é a EDUCAÇÃO, onde o Brasil está aquém e aquém da realidade. Portanto, o povo brasileiro, está a cada dia, massacrado, humilhado, pisado, pelas intempéries climáticas, sem chão, para pisar, sem educação para saber discernir o certo do errado, sem arma para proteger-se dos bandidos, que país é este????????????????????????????????????????????? continuar lendo

Faço minhas suas palavras Dr. continuar lendo

as minhas tbm... continuar lendo

Eu sou policial militar. Na véspera de Natal de 2007 eu estava em patrulhamento próximo a um shopping aqui no Rio de Janeiro quando eu o colega ouvimos gritos ao longe. Era um cara de seus 20 poucos anos correndo entre os carros, gritando, "vou matar, vou cortar a cabeça" e tinha em mãos uma lâmina de foice, sem o cabo. Imediatamente corremos em sua direção e o abordamos. Ele brandia energicamente a foice. Enquanto eu, de arma em punho, falava com ele, meu colega o engravatou e tomou lhe o artefato. Ele caiu no chão durante o breve embate e bateu com a cabeça no meio fio, o q abriu um galho de onde o sangue corria para a alegria dos que gritavam isso mesmo e para a alegria dos que gritavam truculentos despreparados. Levamos ele pra delegacia. Lá nos foi perguntado pelo delegado. "Qual o crime?"
Exato. Despreparo mesmo. Narrei os fatos e como não havia ameaçado e não havia ferido, o dr del pol mandou a todos embora, não antes de perguntar ao alterado descompensado se queria representar contra nos por lesão corporal. Aí vcs q estudaram expliquem pra população que de um lado avista dois PMs, e do outro um cara com foice na mão gritando que vai matar, que o mango nao vai fazer nada pq ele não está ameaçando a uma pessoa específica e gritar pela rua não é crime. continuar lendo

também sou policial militar e aqui no R.G.S é como Brigadiano que o povo nos conhecem e já tive problemas parecidos com esse seu! Qual o procedimento? lesão corporal grave e o Policial estará enrolado por um bom tempo... gastos com advogado, processo nas costas, incômodos com o comando, e trabalho interno, consequentemente menor salário no final de mês! continuar lendo

Se você e seu colega avistam um indivíduo nessas condições narradas de fato não há crime, porém convenhamos que há a fundada suspeita. Havendo fundada suspeita vocês estão respaldados juridicamente há iniciarem a abordagem policial - conforme foi feito segundo o relato - na abordagem está claro para mim como leitor do fato relatado que o então "suspeito" empregou resistência à abordagem, uma vez que continuou segurando a foice e pelo que foi narrado não obedeceu aos comandos que lhe devem ter sido dirigidos por você e seu parceiro. Ora, dessa forma o delegado não poderia lavrar o flagrante pelo fato do mesmo correr, gritar e portar uma foice na rua, mas no meu meu entender poderia deter sim o indivíduo pelo crime de resistência. No meu ver faltou boa vontade do delegado em questão.

Me corrijam se eu estiver errado. continuar lendo

Para o Julio Cezar Muniz Dantas, nem seria resistência, pois resistência teria que ter o uso de violência, o que, pela a descrição, não teve, o que teve verdadeiramente foi desobediência, e por causa da desobediência, o policial teve que fazer uso progressivo da força, o qual provocou uma lesão, resultado, o indivíduo armado com foice se machucou acidentalmente, os policiais agiram certo em decorrência da fundada suspeita e nada de ilegal aconteceu na abordagem, diferente se você estiver passando numa boa e os policiais te abordarem somente porque querem, configura abuso, já que não havia fundada suspeita e ainda fazem uma revista em ti e descobrem que tu tens um simples canivete, e se levarem, neste caso já configura abuso de autoridade na modalidade roubo, pois o policial estava armado e os colegas dele que estiverem armados são cúmplices, cabendo processar o estado, por abuso, constrangimento e roubo, tu ganhas o processo e depois o estado processará subjetivamente os agentes. Se até nas abordagens policiais que passam em programas de TV e no youtube, os policiais cometem um monte de abusos, imagine quando não estão sendo filmados, por isto que não querem ser filmados, para abusar e por este motivo pedem o nível de estudo, para saber se estão tratando com um ignorante e abusar, o que muitas vezes não é o caso, pois o cara pode ter apenas o segundo ano do primeiro grau e não ser um ignorante, ou ainda ser formado em algum nível superior e ser um ignorante, mas se tiver nível superior, muitas vezes não abusam, pois o abordado sabe mais do que eles mesmos, os quais deveriam saber, já que a legislação (CF, DP, DPP, legislação especial) são inerentes ao cargo de policial. continuar lendo

Uma pergunta para o senhor Gabriel? se o senhor esta em sua casa com esposa e filhos , ou até mesmo na rua com eles e for abordado por um marginal , que tem o intuito apenas de levar oque é seu matar e destruir , o senhor com a oportunidade nas mãos de defender a si e seus familiares , não o faria? apenas porque o estado que tem o dever de proteger?por favor todos os dias milhares são mortas , estupradas , mães e pais de famílias mortos por causa de um celular ou outros artefatos , tudo porque infelizmente nosso estado não da conta de proteger todos, então cabe sim a cada fazer a sua parte inclusive o estado ter bom senso para com o cidadão poder se proteger. continuar lendo

Chega de leis fascistas, punam o criminoso e não a sociedade. O estatuto do desarmamento não funcionou nem aqui nem nenhum outro lugar do mundo, por que o "desfacamento" funcionaria?
Não é justo um cidadão que portar uma faca para defesa ser punido num país onde um menor de 14 anos autor de latrocínio (fato ocorrido em Canoas-RS) é punido com liberdade assistida. continuar lendo

Recomendo o livro Mentiram pra mim sobre o desarmamento, do Bene Barbosa. Chega de mitos, segurança pública deve ser pautada em técnica e estudo, não em ideologia. Sem esquecer também do fator liberdade.
Façam breves comparações: Uruguai, Paraguai, Honduras, Peru, Brasil, , França, Inglaterra, Suiça e EUA, Texas-California, Rio Grande do Sul-Ceará.
Verão que nem mesmo questões como educação e pobreza amparam a ideia do desarmamento. continuar lendo